Mulheres impressionistas.
Haviam mulheres no movimento impressionista?
Quando pensamos em impressionismo, logo pensamos em Claude Monet com seus jardins de Giverny pintados com pinceladas extremamente visiveis ao público, Pierre Auguste Renoir retratando o cotidiano das pessoas em sua volta com certa dedicação as feições e bochechas coradas, Edgar Degas com suas obras sobre Ballet com enquadramentos não típicos.
“Mas e as mulheres? Elas estavam presentes no impressionismo?”
Claro que estavam!
Mary Cassatt, Berthe Morisot e Marie Bracquemond são os grandes nomes do movimento impressionista, por exemplo, formando a tríade tão conhecida do movimento “As 3 grandes damas”. Existiam muitas outras mulheres, mas hoje vamos focar nelas.
O impressionismo aconteceu em uma época onde a sociedade e o mundo estavam mudando. O impressionismo em si queria apresentar uma nova forma de arte menos cheia de imposições e romper com aquele tradicionalismo que dizia só existir uma forma de fazer arte.
Naquela época, nas grandes academias de arte, os artistas faziam aulas de matérias que eram pré requisitos para outras matérias, assim como na faculdade hoje em dia. E aí estava e um grande empecilho na trajetória acadêmica das mulheres.
Homens posavam nus para as aulas de anatomia, esse estudo era crucial para a formação dos artistas. Mas adivinhem? Mulheres não podiam ter acesso às aulas de anatomia, pois não era aceito que elas vissem homens nus. Então, como era uma matéria pré requisito para outras, as artistas ficavam estagnadas ali naquele exato ponto. Tinham que ter aulas particulares para poder aprender isso e ir ao Louvre copiar pinturas para treinar.
Também não era bem visto que as mulheres fossem à cafés e bares, grandes pontos de “networking” naquela época, onde artistas se inspiravam no cotidiano ao entorno, capturavam a vida noturna e coisas do tipo. Para as mulheres o ideal da época eram os jardins, cenários interiores de casas ou teatros, por isso é comum ver que durante o impressionismo elas pintassem muito a relação familiar dentro de casa ou objetos inanimados. Haviam rochas enormes no caminho das mulheres impressionistas, mas não muralhas definitivas.
Mary Cassatt era norte-americana de família rica e como a maioria dessa classe, estudava arte desde jovem. Mas estudar arte e seguir o caminho da arte para a vida sempre foram coisas muito diferentes, principalmente para as mulheres. Mulheres deviam se casar, cuidar do marido e dos filhos.
Mary Cassatt fez a família ter um troço quando decidiu que ia ser artista. Seu pai não custeava um centavo sequer relacionado a pintura para ela. Mas ela era muito boa no que fazia e teve obras aceitas para a exposição do Salão de Paris, também participava das exposições impressionistas, logo conseguiu compradores para bancar sua vida. Mary sempre teve uma coisa em mente: não queria se casar, nem ter filhos. E foi isso que fez. Mary também apoiava o movimento feminista que estava em ascensão na época e participava ativamente de algumas pautas sobre. Ao longo de sua vida foi se encontrando em outros estilos de pintura.
Mary só parou de pintar pois perdeu boa parte da visão para a catarata.
Berthe Morisot era francesa e é conhecida até os dias de hoje como “a primeira dama do impressionismo” ou “pioneira do impressionismo”. Diferente da situação de Cassatt, a família de Berthe sempre a apoiou na arte. Ela se tornou grande amiga de Cassatt, inclusive.
Fez parte de mais exposições impressionistas do que Renoir e Monet e vendeu muito mais também, era super reconhecida e admirada. Reclamava sempre da forma que as mulheres eram ensinadas no ramo da arte, que era um ensino muito inferior ao dos homens. Suas pinturas tinham movimento e pinceladas bem marcadas, dando aquele ar de “inacabado” que o tradicionalismo odiava com todas as forças. Ela se casou com o irmão de Édoard Manet, teve uma filha chamada Julie, que também se tornaria pintora no futuro. Julie inclusive foi retratada nos quadros da mãe durante a vida toda, sendo esses quadros muito famosos.
E para fechar a tríade, temos Marie Bracquemond, também era francesa, mas não nasceu tão abastada, não estudou formalmente como as outras duas, teve aulas particulares. Quando ela tinha só dezesseis anos conseguiu fazer com que sua obra fosse exposta no Salão de Paris. Trabalhou como copista das obras do Louvre para encomendas e acabou conhecendo Félix Bracquemond, seu futuro marido, lá mesmo. Ele era diretor de ateliê e pintava também. Tiveram um filho juntos. E esse marido dela era um porre, sinceramente.
Félix perturbava a mente de Marie, não era a favor do movimento impressionista, achava as obras de Marie feias e sempre tentava a desencorajar, fazer ela parar de pintar. Não tinha orgulho dela, muitos dizem que ele não mostrava as artes para visitas, que tinha vergonha (ou ciúmes) do trabalho dela. E sim, para nosso triste final, logo esse dementador sugador de alma fez Marie parar de pintar. Marie não é tão lembrada como as outras duas antes citadas, mas foi sim uma pintora talentosa. Uma pena que ela tenha sido barrada de seguir com a sua arte. Cuidado com essa raça de homens, não desistam de nada por eles.
Algumas obras delas abaixo.
Mary cassatt:
Berthe Morisot:
Marie Bracquemond:










